Federação de Clubes
de Laço de MS

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14 de Dezembro de 2017
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História


História do Laço Comprido como esporte no Mato Grosso do Sul.

A colonização do antigo Mato Grosso teve por base o triângulo homem, boi e cavalo. Don Alvar Nunes Cabeça de Vaca adquiriu uma manada de 1000 cabeças de gado vacum, alguns touros e umas dezenas de animais cavalares em São Vicente, em 1767, na Província de São Paulo, onde  todos eles passaram pelo interior do Brasil até chegar a Assunção .

Na região foram encontradas sementes do gado Baguá e dos Cavalos Chimarrões.  Bandeirantes e Mamelucos também andaram por aquelas terras caçando e capturando índios para levar como escravos para suas respectivas lavouras de café e cana de açúcar.

Os primeiros Mineiros chegaram ao Mato Grosso por volta de 1842, encontrando gado por lá. As Forças Brasileiras também cruzaram esse campo de vacarias em 1865. E, nessa mesma guerra, dos ataques dos soldados paraguaios, durante a Retirada da Laguna, certamente também se extraviaram alguns cavalos nessa região.

De lá pra cá, a pecuária não parou mais de se desenvolver.  Tornamo-nos o primeiro rebanho do Brasil. Homens campeiros que iniciaram a colonização do MT. Por isso, podemos dizer hoje que eles são o sustentáculo da economia do Estado. E esses homens são os responsáveis pelos Clubes de Laço da Federação de Clubes de Laço do MS.

Graças às magníficas pastagens naturais, o gado vacum e cavalar desenvolveu-se muito bem e, em poucas décadas, já existiam manadas baguais em todos os recantos, principalmente no Pantanal.

A origem do famoso Cavalo Pantaneiro vem desse tempo

Como não havia cercas para contenção dos animais, a única forma de pegá-los era utilizando o laço. Dessa forma, o homem campeiro, até para sobreviver, foi se tornando um exímio laçador. Os homens campeiros fizeram do laço uma arte que foi sendo transmitida de geração em geração.  

O Antes e Depois dos Clubes de Laço é bastante interessante. Antes de 1980, nossa juventude copiava o modelo americano de vida. Nossos usos e costumes estavam sendo relegados. Depois conseguiram inverter essa situação e, todos estão agora valorizando o que é de direito, voltando às origens.

Não se sabe com exatidão, o início do Laço no Estado. Mas a tradição pontua que tudo começou na década de 70. Nessa época nasceu o Clube do Laço "BELA VISTA”, em Bela Vista, onde ocorreu o primeiro torneio nacional de laço comprido na cidade. Estiveram presentes, Clubes de Laço dos Estados do RS, SC e vários laçadores de Ponta Porã, Maracaju, Laguna Carapã e Caracol.

Posteriormente, depois da divisão do estado, em 1977, nasceu Mato Grosso do Sul. Onde surgiram Clubes do Laço em Ponta Porã, Caracol, Maracaju e Laguna Carapã. Nos anos 70/80, praticamente só se laçava nas Exposições, de Bela Vista e de Ponta Porã. O laço era praticado sem leis e sem regras específicas. Ninguém sabia bem como fazer. Em cada Clube existia uma regra. Somente depois da criação do Clube do Laço de Guia Lopes que foi estabelecido o estatuto considerando o Laço Comprido como esporte.  Os associados dos Clubes do Laço acreditam que o Laço Comprido criou um sentimento de fraternidade, de igualdade e, de respeito pela família do homem campeiro.

Ao todo foram criados 43 Clubes de Laço em 77 municípios do Estado. A ideia principal foi organizar os Encontros de C.L., mas, também, de criar um esporte da família do homem do campo e, de criar um órgão de representação da classe dos agropecuaristas.

A Federação de Clubes de Laço do MS tem como finalidades:

- Congregar todos os Clubes de Laço do Estado, como órgão hierarquicamente superior, a fim de que todos se rejam por um único Estatuto, com um Calendário Anual para os Encontros Oficiais, ter uma Comissão de Juízes, criar e divulgar todas as atividades esportivas ligadas ao cavalo. Também por finalidades: cultuar a Tradição Campeira e Cultural do MS nas suas formas originais, não permitindo importações de usos e costumes estrangeiros que possam desvirtuá-la, sem distinção de credo político, religioso ou ideológico; elevar o homem do campo, como símbolo das virtudes, do comportamento moral, da ética de trabalho e do progresso; incentivar e divulgar o esporte do laço, tanto a pé como o cavalo, fomentar a criação de bons cavalos de trabalho, despertar nos homens rurícolas o antigo amor pelo "pingo" e pelas lidas campeiras, incentivar os peões na arte da domação e adestramento; incentivar os esportes, as ciências e as artes ligadas ao campo, apoiar competições de cunho esportivo-rural; contatar os Poderes Públicos no sentido de que a vida rural seja objeto de atenção cada vez maior por parte;

- Das autoridades e dos Poderes constituídos, pleiteando para as promoções da Federação e dos Clubes de Laço a ela filiados, a concessão de verbas e favores fiscais pertinentes anteriormente a 1989. Somente Clubes de Laço podem filiar-se à Federação de Clubes de Laço do MS respeitadas às filiações dos Centros de Tradições Gaúchas já filiados antes de 1989.

O esporte do Laço Comprido cresceu tanto que foi necessário dividir a Federação em dois grupos (A e B) em 1992. Cada encontro que era realizado movimentava um mercado de trabalho sem precedentes, principalmente no comércio, com rações, vacinas, remédios, veterinários, hotéis, restaurantes, postos de gasolina, etc.

São disputadas 38 taças, nas categorias de Peão Mirim, Bandeira, Adulto, Amazonas, etc. São destaques nesses encontros, a disputa de Campeão Individual e a final das Taças de Bronze, Prata e Ouro. Isso sem contar com o baile Carapé - praticamente ao lado da pista de laço.

O maior sonho dos laçadores é a criação do Parque do Laçador, em Campo Grande, nos moldes do Rodeio de Barretos, São Paulo, mas que pudesse ser também um local de apoio aos laçadores e pecuaristas que se deslocarem até a Capital, e onde aconteceria a final da Copa do Laço, com a participação de todos os competidores do Estado e de convidados de outros Estados.

O esporte do Laço Comprido cresceu tanto, que em 2002 foi necessário dividir mais uma vez a Federação. Atualmente são três grupos (A, B e C). Podemos dizer que o Laço Comprido é, sem sombras de dúvidas, uma das bandeiras culturais do MS. 

O primeiro estatuto foi elaborado pelo Presidente Dr. José Atanasio  Lemos Neto, aprovado em Assembléia Geral Extraordinária no C.L. Bela Vista, MS em 21 de JULHO de 1984.

O Estatuto foi PUBLICADO para o conhecimento de todos e REGISTRADO sob nº 61, L. 01, FL.187/188, 02 de abril de 1.985, no Cartório de Registro de Títulos e Documentos da Comarca de Jardim–MS.

Agradeço o honroso convite para contar um pouco da história do Laço Comprido.  E termino, como sempre, dizendo: “O Laço une!”  

José Atanasio Lemos Neto